terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Como faço para emagrecer?


Quem nunca viu aquela clássica cena de filme com a mocinha que, depois de levar um fora do homem amado passa dois dias na frente da televisão, chorando enquanto assiste filmes românticos, comendo sorvete e todas as delícias engordativas que se possa imaginar?

Pois é, quem nunca comeu como resposta a algum sentimento? Tristeza, raiva, preocupação, alegria, felicidade, entusiasmo, angustia, medo, ansiedade, euforia... meu Deus por que tantos sentimentos?

Agora imagine uma pessoa comer após todos os sentimentos do dia-a-dia. De manhã depois de levantar da cama, ainda cansada, para mais um dia de trabalho percebe que está atrasada, sai correndo e depois de muito trânsito chega ao trabalho, descabelada, esbaforida e irritada, afinal o dia não poderia começar pior. A birra do filho, a felicidade da promoção, a pressão de ter que prover a família, o questionamento de ser boa mãe, filha, esposa, profissional e amiga.

É muito comum quando não sabemos como lidar com essa tonelada de sentimentos, comermos para compensar tanta pressão. O problema é que não percebemos, ou pelo menos não damos a devida importância para esse ato compensatório, que só nos chama a atenção quando algo não está muito bem e percebemos os muitos quilos acumulados ao longo de todo esse tempo de compulsão alimentar e nesse momento saímos correndo atrás de algo que nos emagreça.

Algo que nos emagreça? Isso mesmo, pois se não percebi minha compensação através da compulsão alimentar ao longo do tempo, não tenho como me responsabilizar pelos quilos que insistem em habitar esse corpo que deseja ser magro.

A ajuda médica pode ser muito importante para o emagrecimento, mas o autoconhecimento também pode ser imprescindível. É importante se conhecer e saber que a comida tem para a maioria das pessoas uma função diferente da de nutrir um organismo. Ela pode ter a função de aproximar as pessoas, de esquecer um sofrimento, de se autopunir com um corpo pesado e doente pelas comorbidades da obesidade e por vários outros motivos que cada pessoa carrega consigo.

A medicação pode ajudar a conquistar um corpo magro, mas a manutenção não é possível uma vez que essa não acaba com os sentimentos causadores do comer em excesso.

Como faço para emagrecer? é uma pergunta cada vez mais frequente em uma sociedade que cultua o corpo belo e magro e a resposta pode estar dentro de você.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Psicossomática


Tem sido cada vez mais frequente no consultório, a queixa de pessoas com dores físicas, mas sem uma causa física, ou seja, uma doença psicossomática.

Explicarei melhor.

Geralmente as pessoas chegam no consultório relatando uma longa trajetória percorrida em médicos e  mais uma diversidade de exames realizados, mas sem descobrir uma causa física para a dor que está sentindo. E então o diagnóstico do médico é de que o paciente tem um problema emocional.

Além da dificuldade de diagnóstico enfrentada nesses casos, também é comum o insucesso no tratamento da doença, afinal por ter origem emocional a cura não poderá acontecer apenas com o uso da medicação.

O fato da causa da doença e da dor serem emocionais, não significa que elas não existam. Pelo contrário o corpo está sofrendo com fadiga, falta de concentração e memória, dores no peito, enxaqueca, úlcera, gastrite, urticária, dermatite, hipertensão, taquicardia, falta de ar, sensação de sufocamento, dor de garganta, tendinite e muitas outras doenças.

A doença psicossomática pode se manifestar apenas com sintomas, sem uma lesão física. Por exemplo, sintomas de enfarto com dores no peito e no braço, mas sem nenhum problema cardíaco, ou ainda, com uma lesão real como a tendinite.

Isso acontece porque corpo e mente são partes integradas do ser humano.  Assim, os sentimentos e as emoções vivenciados pela pessoa e com os quais não soube lidar, poderão se manifestar através do corpo. Se a pessoa é muito retraída e não consegue falar o que sente e precisa, poderá desenvolver uma dor de garganta crônica ou uma forte dor nas costas por carregar um peso que não consegue se livrar.

Para que o tratamento da doença psicossomática seja eficaz é necessário um acompanhamento psicoterápico, para que a pessoa busque o autoconhecimento, se desenvolva aprendendo sobre si mesmo e através de seus sintomas e conseguindo entender o significado das experiências e comportamentos vivenciados. Assim, poderá realizar mudanças pessoais, diminuir suas angústias, sofrimentos psíquicos e reestabecer a qualidade de vida.

Paralelamente, a pessoa deve continuar o tratamento medicamentoso para controlar os sintomas e evitar seu agravamento.

Então, se você tem apresentado sintomas físicos, mas não tem encontrado respostas para sua origem, converse com seu médico sobre a possibilidade de ser uma doença psicossomática e procure ajuda psicoterápica.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Perdão

Uma bela série sobre o tema Perdão, produzida pela EPTV Campinas e com uma pequena contribuição minha.

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/jornal-da-eptv-faz-serie-de-reportagens-como-o-tema-perdao/2310335/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/confira-a-segunda-reportagem-especial-sobre-perdao/2311747/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/violencia-sexual-e-morte-sao-temas-da-segunda-reportagem-sobre-perdao-da-eptv/2313271/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/confira-a-quarta-reportagem-especial-sobre-perdao/2315130/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/sequestro-e-tema-da-quinta-reportagem-de-serie-especial-da-eptv-sobre-perdao/2317039/


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Confraternizações. Felicidade ou tristeza?


Natal e Ano Novo. Tempo de alegria, felicidade, amor, esperança, recomeço, renovação, união e mais uma extensa lista de sentimentos e pensamentos positivos.

Mas por que será que muitas pessoas se sentem na contra mão de todo esse espírito de união?
Muitas são as queixas de pessoas que se sentem inadequadas por demonstrarem sentimentos negativos nessa época do ano. Tristeza, angústia, decepção, solidão e culpa, são alguns dos sentimentos experimentados por muitos na época que deveria ser só de felicidade.

A tristeza e a solidão geralmente estão relacionadas ao sentimento de não ter pessoas com quem possa compartilhar os momentos agradáveis. A pessoa pode sentir que não é importante para ninguém, pois não foi chamado para nenhuma confraternização, nem recebeu presentes, mas também não sente vontade de comemorar com familiares, pois estão distantes durante todo o restante do ano.

O balanço do ano que está chegando ao final também pode gerar sentimentos negativos se não o analisarmos de maneira clara e honesta.  Quando esse balanço indica que o planejado não foi alcançado, é frequente que ocorra uma autocobrança muito grande, gerando frustração, angústia e sentimento de incapacidade.

Digo que o balanço deve ser analisado de maneira clara e honesta para que você não seja injusto com suas conquistas, vitórias e derrotas. A tendência é a de se frustrar com 1 item que não foi realizado e esquecer que os demais objetivos foram alcançados.

Isso sem contar o que não foi relacionado na lista inicial, mas que surgiu durante o ano e também não foi realizado, mas que agora o tempo está esgotando e precisa ser recuperado. A pessoa a ser perdoada, a palavra a ser dita, a adaptação ao novo trabalho, o conflito a ser solucionado, os novos desejos que surgiram no decorrer do ano... mais e mais cobranças e a autocobrança.

Ao mesmo tempo o não planejamento pode causar a sensação de não caminhar, estar parado no tempo, não pensar no futuro. Planejar e viver ciclos é intrínseco ao ser humano. A cada projeto finalizado, outro será iniciado. Depois do namoro, planeja-se o noivado, o casamento e depois os filhos. No final das férias já começamos a planejar a viagem para o próximo ano.

Parece, então, inevitável não se angustiar diante do balanço anual, mas o importante é aproveitar esses momentos de autoquestionamento e de crise para pensar o porquê de não ter realizado os projetos e promessas do início do ano. Questionar-se sobre o real motivo de se sentir sozinho. Pode ser que não sejam as pessoas que não querem sua companhia, mas sim você que está com dificuldade de relacionamento. Seus projetos para ao ano foram irreais e difíceis de serem realizados, você não se esforçou para concretizá-los ou aconteceram contratempos que fizeram com que seus planos fossem adiados?

Seja justo com você. Tenha objetivos e se planeje, mas faça de maneira real e que possam ser alcançados, evitando a autocobrança por não ter conquistado algo impossível diante de suas condições atuais.

Olhar-se internamente pode ser difícil e doloroso, mas poderá te ajudar a identificar e saber lidar com os próprios sentimentos, conhecer o que realmente é importante para você e consequentemente contribuir para um bom planejamento dos objetivos a serem alcançados.

É importante lembrar-se de que se não conseguir traçar suas metas no final ou início do ano, não se preocupe. O término de um ano é um fechamento de ciclo, mas você pode traçar seus objetivos em qualquer momento do ano e com o prazo que for necessário. Feche seu próprio ciclo.

E se estiver difícil fazer esse exercício sozinho, procure um profissional capacitado para te ajudar a resolver seus conflitos e bons planejamentos!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Perdas e luto.

Quando ouvimos a palavra luto, logo vem em nossas cabeças o momento e os sentimentos expressos por uma pessoa que vivenciou a morte de uma pessoa muito querida e amada.

É normal que a pessoa enlutada vivencie sentimentos de dor, tristeza, choro, raiva, negação, solidão, desamparo, desinteresse pelo mundo exterior e nostalgia, sempre relembrando momentos agradáveis ao lado da pessoa falecida. As sensações físicas como vazio, aperto no peito e cansaço também são relatadas pelas pessoas nesse processo.

Apesar de todo o sofrimento diante da perda é esperado que a pessoa vá reorganizando sua vida e ressignificando o sentimento de perda com o passar do tempo, mas acontece que muitas pessoas não conseguem fazer essa reorganização emocional e pessoal, nem tão pouco levar sua vida a diante, ficando fixadas na perda sofrida. Diferentes motivos podem ser responsáveis por isso, por exemplo, o pensamento de não merecer uma pessoa boa ao seu lado ou a revolta por ser tão injustiçado por lhe ser tido tirada a pessoa querida.

O que muitas vezes não imaginamos é que a dor da perda de objetos, estatus social, emprego e a separação no namoro ou casamento, pode ser tão forte quanto a morte fisica da pessoa querida. Assim, o luto também deve ser vivenciado na ocasião dessas perdas, mas muitas vezes não é isso que ocorre.
Para descrever as fases de elaboração do luto, usarei os estudos de Elizabeth Kubler-Ross, psiquiatra suíça, que descreveu as 5 fases em seu livro Sobre a morte e o morrer (1969).

É importante lembrar que essas fases não precisam seguir uma sequência ou que tenham que ser vivenciadas da mesma forma por todas as pessoas.  

  1. Negação e Isolamento: Impacto inicial da notícia onde pode ocorrer uma paralisação na pessoa e ela não conseguir dar seguimento a pensamentos. Também é comum nessa fase que se tente negar o ocorrido, não acreditando na informação que se está recebendo. A negação é uma defesa temporária, sendo logo substituída por uma aceitação parcial. Também é comum uma transição em falar sobre a realidade do assunto em um momento e de repente negá-la completamente.
  2. Raiva: Surgem sentimentos intensos como: raiva, revolta, inveja e ressentimento, além da clássica pergunta: “porquê eu?”. Esta raiva, geralmente é projetada no ambiente externo, no sentido de inconformismo. Neste momento os familiares podem sentir pesar, culpa ou humilhação.
  3. Barganha: Após ter se revoltado, e nada adiantado, passa-se a utilizar inconscientemente outro recurso, tentando fazer algum tipo de acordo que faça com que as coisas se restabeleçam. Geralmente este movimento volta-se para à religiosidade. Ex.: promessas, acordos, pactos, geralmente em segredo.
  4. Depressão: Ocorre um sofrimento profundo, onde já não se pode mais negar os acontecimentos e nem se revoltar contra eles. É a fase de introspecção profunda e necessidade de isolamento.
  5. Aceitação: Tendo superado as fases anteriores, percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. Os sentimentos não estão mais tão a flor da pele, como se a dor tivesse esvanecido, a luta tivesse cessado e as coisas passam então a ser enfrentadas com consciência das possibilidades e das limitações.
Quando o processo de elaboração do luto não é realizado e a perda não é aceita de maneira natural, é preciso que a pessoa procure ajuda psicoteraupêutica afim de entender qual o papel que a pessoa ou objeto perdido ocupava em sua vida, para  enfrentar a avalanche de emoções que vivenciará e então se reorganizar e dar novo sentido em sua vida.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Entrevista para o Jornal da EPTV - Violência sexual infantil

Uma pequena contribuição contra a violência sexual infantil.
Entrevista para o jornal da EPTV Campinas.

http://globotv.globo.com/eptv-sp/jornal-da-eptv-campinaspiracicaba/v/psicologa-de-campinas-fala-sobre-tratamento-para-vitimas-de-abuso-sexual-na-infancia/1973732/

Da superproteção à frustração.

Ser bons pais talvez seja uma das maiores preocupações de um casal que resolve constituir uma família com filhos. Diante dessa preocupação logo veem os pensamentos: não vou agir de maneira tão rígida como meus pais, em tempos de extrema concorrência no mercado de trabalho meu filho terá como única obrigação estudar e ter somente nota 10 na escola, meu filho não sofrerá com o mundo, afinal seremos pais protetores e claro que não nos esqueceremos de elogiá-lo e aplaudi-lo em tudo que fizer.
Carlos* nasceu nessa família e desde cedo recebeu muitos aplausos e comemorações eufóricas por guardar seus brinquedos depois de usá-los, por se comportar bem na casa da vovó, ser educado com as pessoas e por apresentar notas 10, mas só quando era 10, uma vez que uma nota 9 era inadmissível para uma criança tão especial como ele.
E assim foi crescendo e mesmo quando sua atitude não era assim tão correta, seus pais acreditavam que deveriam apoia-lo, afinal uma crítica poderia contribuir para que Carlos não vencesse o mundo cruel que o esperava para engoli-lo sem dó nem piedade. Será que esse é o verdadeiro Bicho – Papão?
Pois bem, Carlos cresceu e agora aos 22 anos de idade e terminando a faculdade é hora de enfrentar o tão temido mercado de trabalho. Vamos sair em busca de um estágio. Tarefa fácil para ele que sempre teve boa conduta, frequentemente aplaudida e comemorada euforicamente pelos pais, acostumado a ter boas notas e que fala três línguas. 
No primeiro dia de estágio Carlos sente que algo não está correto, afinal se comportou bem, realizou todas as tarefas solicitadas com atenção, rapidez e eficácia e não recebeu se quer um elogio. Apesar de isso lhe parecer estranho acredita que foi só o primeiro dia e que amanhã tudo será diferente. Acontece que o tempo vai passando e ele começa a perceber que é somente mais um no meio de tantos em busca de uma boa colocação e do seu espaço ao sol e, principalmente, que ter sucesso o tempo todo é praticamente impossível.
Algo inevitável começa a passar por sua cabeça: o que deu errado? Sempre fui o melhor aluno, o melhor filho, elogiado diariamente e várias vezes ao dia, no entanto hoje passo semanas sem que meu chefe me diga um simples “bom trabalho!”.
Passamos então da superproteção e supervalorização à frustração. Carlos sente-se frustrado por não continuar sendo o melhor e recebendo seu prêmio diário e consequentemente não entende sua inadequação diante do mundo. De repente se vê em uma prisão, afinal como ser livre se não se reconhece e não sabe como agir?
Nesse caso as crises de pânico e a depressão passaram a fazer parte da sua vida, sendo essas as melhores formas de adaptação que pôde encontrar.
Os pais de Carlos certamente pensavam estarem agindo corretamente, mas com a superproteção esqueceram-se de dar á ele responsabilidades relativas ao seu papel de filho, contribuindo para seu crescimento pessoal e não apenas profissional. Agora Carlos procura ajuda para se apropriar de sua vida, descobrir que o que precisava, quando criança, era de um obrigado diante de um gesto de gentileza e não de comemorações eufóricas. Entender que guardar seus brinquedos depois de usá-los era sua obrigação e parte do processo de formação do ser humano e não motivo para aplausos e principalmente que, às vezes, uma nota 7 pode valer muito mais que uma 10.
Sem conhecer outros caminhos não é possível que ele faça escolhas. Ser ver possibilidades é impossível ser feliz com as frustrações, pois estas não tem conotação de aprendizado, mas apenas de castigo e assim segue engessado, rígido diante da insegurança de ser ou não tão especial como cresceu ouvindo ser.
 O maior desafio de Carlos nessa fase é o de se conhecer. Conhecer sua história em busca de sua liberdade, felicidade e de ser saudável, superando seus conflitos e agindo de maneira madura diante do Bicho – Papão, mundo.

* Carlos é um nome fictício utilizado pela autora.