Desde o lançamento do
documentário "Muito além do peso" queria muito assisti-lo, mas só tive a
oportunidade nessa semana, mas com um presente que foi debatê-lo com minha
turma de especialização em transtornos alimentares e obesidade.
Minha vontade de assistir ao documentário
era grande e agora considero imprescindível que todas as pessoas, pais ou não,
que o pretendem ser ou não, avós, tios, primos, vizinhos, enfim que todos assistam,
pensem sobre sua alimentação e o que estão ensinando para suas crianças.
A obesidade que já é considerada
como epidemia entre os adultos, não tem ficado atrás quando falamos de nossas
crianças. Como visto nos filme o número de crianças com sobrepeso atualmente no
Brasil é de 33% e de 14% de para crianças obesas.
Mas, como costumo dizer, o maior
problema da obesidade não é a obesidade em si, mas as doenças à ela associadas.
Doenças, antes típicas dos adultos, estão sendo cada vez mais frequentemente desenvolvidas
por crianças. Com 5, 7, 9 anos as crianças já apresentam hipertensão arterial,
diabetes, colesterol alto, dores nas articulações, dificuldades de respiração
entre outras.
Além das doenças físicas é
inevitável o surgimento das doenças emocionais, como isolamento social, depressão,
baixa autoestima, falta de confiança em si mesmo e o sentimento de não
pertencimento ao grupo, uma vez que este não procura a criança obesa para
brincar devido suas dificuldades e limitações de movimentação.
Cada vez mais, presa enfrente à
televisão, vídeo game e computador, a criança começa a se sentir sozinha, muito
bem demonstrado na fala de uma mãe no documentário, relatando que seu filho lhe
perguntou se ‘poderia comprar um amigo’, sinal do sentimento de exclusão diante
do grupo.
Apesar de a criança estar exposta
ao que os pais lhe ensinam comer e á necessidade de corresponder às exigências do
consumismo em que vivemos, é evidente que ela, assim como os adultos, come por
não saber como lidar com alguns sentimentos. A necessidade chega a ser tanta a
ponto de não suportar a falta do alimento, como ocorre com outra criança do
documentário que troca seu material escolar por comida com os colegas.
O documentário nos proporciona
vários temas para reflexão, por exemplo, como estamos cuidando de nossas
crianças, como elas estão se sentindo diante das exigências da vida moderna, a
inatividade física proporcionada pelas horas a fio enfrente à um aparelho eletrônico,
por serem vistos como consumidores e como obesos, mas não como criança.
Como reverter esse quadro, é algo
para refletirmos e discutirmos em vários outros posts, afinal o assunto é
inesgotável, mas recomendo que iniciem assistindo ao documentário.
Bom filme e boa reflexão.