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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Da superproteção à frustração.

Ser bons pais talvez seja uma das maiores preocupações de um casal que resolve constituir uma família com filhos. Diante dessa preocupação logo veem os pensamentos: não vou agir de maneira tão rígida como meus pais, em tempos de extrema concorrência no mercado de trabalho meu filho terá como única obrigação estudar e ter somente nota 10 na escola, meu filho não sofrerá com o mundo, afinal seremos pais protetores e claro que não nos esqueceremos de elogiá-lo e aplaudi-lo em tudo que fizer.
Carlos* nasceu nessa família e desde cedo recebeu muitos aplausos e comemorações eufóricas por guardar seus brinquedos depois de usá-los, por se comportar bem na casa da vovó, ser educado com as pessoas e por apresentar notas 10, mas só quando era 10, uma vez que uma nota 9 era inadmissível para uma criança tão especial como ele.
E assim foi crescendo e mesmo quando sua atitude não era assim tão correta, seus pais acreditavam que deveriam apoia-lo, afinal uma crítica poderia contribuir para que Carlos não vencesse o mundo cruel que o esperava para engoli-lo sem dó nem piedade. Será que esse é o verdadeiro Bicho – Papão?
Pois bem, Carlos cresceu e agora aos 22 anos de idade e terminando a faculdade é hora de enfrentar o tão temido mercado de trabalho. Vamos sair em busca de um estágio. Tarefa fácil para ele que sempre teve boa conduta, frequentemente aplaudida e comemorada euforicamente pelos pais, acostumado a ter boas notas e que fala três línguas. 
No primeiro dia de estágio Carlos sente que algo não está correto, afinal se comportou bem, realizou todas as tarefas solicitadas com atenção, rapidez e eficácia e não recebeu se quer um elogio. Apesar de isso lhe parecer estranho acredita que foi só o primeiro dia e que amanhã tudo será diferente. Acontece que o tempo vai passando e ele começa a perceber que é somente mais um no meio de tantos em busca de uma boa colocação e do seu espaço ao sol e, principalmente, que ter sucesso o tempo todo é praticamente impossível.
Algo inevitável começa a passar por sua cabeça: o que deu errado? Sempre fui o melhor aluno, o melhor filho, elogiado diariamente e várias vezes ao dia, no entanto hoje passo semanas sem que meu chefe me diga um simples “bom trabalho!”.
Passamos então da superproteção e supervalorização à frustração. Carlos sente-se frustrado por não continuar sendo o melhor e recebendo seu prêmio diário e consequentemente não entende sua inadequação diante do mundo. De repente se vê em uma prisão, afinal como ser livre se não se reconhece e não sabe como agir?
Nesse caso as crises de pânico e a depressão passaram a fazer parte da sua vida, sendo essas as melhores formas de adaptação que pôde encontrar.
Os pais de Carlos certamente pensavam estarem agindo corretamente, mas com a superproteção esqueceram-se de dar á ele responsabilidades relativas ao seu papel de filho, contribuindo para seu crescimento pessoal e não apenas profissional. Agora Carlos procura ajuda para se apropriar de sua vida, descobrir que o que precisava, quando criança, era de um obrigado diante de um gesto de gentileza e não de comemorações eufóricas. Entender que guardar seus brinquedos depois de usá-los era sua obrigação e parte do processo de formação do ser humano e não motivo para aplausos e principalmente que, às vezes, uma nota 7 pode valer muito mais que uma 10.
Sem conhecer outros caminhos não é possível que ele faça escolhas. Ser ver possibilidades é impossível ser feliz com as frustrações, pois estas não tem conotação de aprendizado, mas apenas de castigo e assim segue engessado, rígido diante da insegurança de ser ou não tão especial como cresceu ouvindo ser.
 O maior desafio de Carlos nessa fase é o de se conhecer. Conhecer sua história em busca de sua liberdade, felicidade e de ser saudável, superando seus conflitos e agindo de maneira madura diante do Bicho – Papão, mundo.

* Carlos é um nome fictício utilizado pela autora.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Autismo

Em dezembro de 2007, a ONU (Organização das Nações Unidas) decretou o dia 2 de abril como Dia mundial da Conscientização do Autismo. Por isso, trago um pouco de informação para contribuir com a luta por mais direitos e menos preconceito contra as pessoas portadoras de autismo.

O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização e de comportamento. Esta desordem faz parte de um grupo de síndromes chamado transtorno global do desenvolvimento (TGD), também conhecido como transtorno invasivo do desenvolvimento (TID). Mais recentemente cunhou-se o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA) para englobar o Autismo, a Síndrome de Asperger e o Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação.

Algumas crianças, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intactas, outras apresentam sérios problemas no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes, outros presos a rígidos e restritos padrões de comportamento. Os diversos modos de manifestação do autismo também são designados de espectro autista, indicando uma gama de possibilidades dos sintomas do autismo. Atualmente já há a possibilidade de detectar a síndrome antes dos dois anos de idade em muitos casos.

Certos adultos com autismo são capazes de ter sucesso na carreira profissional. Porém, os problemas de comunicação e socialização causam, frequentemente, dificuldades em muitas áreas da vida. Adultos com autismo continuarão a precisar de encorajamento e apoio moral na sua luta para uma vida independente. Pais de autistas devem procurar programas para jovens adultos autistas bem antes dos seus filhos terminarem a escola.

No Brasil, ainda não há estatísticas a respeito do Transtorno do Espectro Autista, mas em 2010 a ONU declarou que, segundo especialistas, acredita-se que a doença atinja cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem. O aumento dos números de prevalência de autismo levanta uma discussão importante sobre haver ou não uma epidemia da síndrome no planeta, ainda em discussão pela comunidade científica.

Um dos mitos comuns sobre o autismo é de que pessoas autistas vivem em seu mundo próprio, interagindo com o ambiente que criam; isto não é verdade. Se, por exemplo, uma criança autista fica isolada em seu canto observando as outras crianças brincarem, não é porque ela necessariamente está desinteressada nessas brincadeiras ou porque vive em seu mundo. Pode ser que essa criança simplesmente tenha dificuldade de iniciar, manter e terminar adequadamente uma conversa.

Outro mito comum é de que quando se fala em uma pessoa autista geralmente se pensa em uma pessoa retardada ou que sabe poucas palavras (ou até mesmo que não sabe alguma). Problemas na inteligência geral ou no desenvolvimento de linguagem, em alguns casos, pode realmente estar presente, mas como dito acima nem todos são assim. Às vezes é difícil definir se uma pessoa tem um déficit intelectivo se ela nunca teve oportunidades de interagir com outras pessoas ou com o ambiente. Na verdade, alguns indivíduos com autismo possuem inteligência acima da média.

A ciência, pela primeira vez falou em cura do autismo em novembro de 2010, com a descoberta de um grupo de cientistas nos EUA, liderado pelo pesquisador brasileiro Alysson Muotri, na Universidade da Califórnia, que conseguiu "curar" um neurônio "autista" em laboratório. O estudo, que baseou-se na Síndrome de Rett (um tipo de autismo com maior comprometimento e com comprovada causa genética), foi coordenado por mais dois brasileiros, Cassiano Carromeu e Carol Marchetto e foi publicado na revista científica Cell.

Características do autismo

Existem muitos graus de autismo, mas quanto mais cedo a criança for identificada e começar o treinamento de habilidades sociais, melhor será seu desenvolvimento.
Indivíduos com autismo usualmente exibem pelo menos metade das características listadas a seguir:
  • Dificuldade de relacionamento com outras pessoas
  • Riso inapropriado
  • Pouco ou nenhum contato visual
  • Aparente insensibilidade à dor
  • Preferência pela solidão; modos arredios
  • Rotação de objetos
  • Inapropriada fixação em objetos
  • Perceptível hiperatividade ou extrema inatividade
  • Ausência de resposta aos métodos normais de ensino
  • Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina
  • Não tem real medo do perigo
  • Procedimento com poses bizarras
  • Ecolalia (repete palavras ou frases em lugar da linguagem normal)
  • Recusa colo ou afagos
  • Age como se estivesse surdo
  • Dificuldade em expressar necessidades
  • Acessos de raiva
  • Irregular habilidade motora
É relevante salientar que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas, porém a maioria dos sintomas está presente nos primeiros anos de vida da criança. Estes variam de leve a grave e em intensidade de sintoma para sintoma. Adicionalmente, as alterações dos sintomas ocorrem em diferentes situações e são inapropriadas para sua idade. É importante salientar também que a ocorrência desses sintomas não é determinista no diagnóstico do autismo, para tal, se faz necessário acompanhamento com psicólogo ou psiquiatra especialista no transtorno.

Fonte: Wikipedia.org

terça-feira, 27 de março de 2012

É só uma mentirinha.



Quem nunca contou uma mentirinha que atire a primeira pedra.

Seja pra escapar de uma bronca dos pais, para conseguir alguma coisa ou até mesmo ao atender ao telefone dizer que uma pessoa não está justamente para não dizer a verdade, que a pessoa não quer falar, o fato é que sempre contamos alguma mentira e que este ato geralmente não é bem visto e aceito pelas pessoas, pois temos a sensação de que aquele que mente não é confiável.
Porém, a mentira como adaptação social, como o exemplo da mentira no telefone é aceita, pois muitas vezes é melhor dizer que a pessoa não está do que dizer que não quer falar com quem telefonou. Já quando ela passa a ser um distúrbio de comportamento podemos ter um caso de mitomania, ou seja, a tendência patológica mais ou menos voluntária e consciente para a mentira.
Você deve estar confuso e se perguntando: e agora pode ou não pode mentir? Mentir é normal ou uma doença?
Vou explicar. Quem nunca teve um amigo ou colega, que te fez desconfiar de que alguns pontos em suas histórias não se encaixam? Alguém que conta ter viajado pelo mundo e estudado em colégios caros durante a adolescência, mas que depois descobrimos uma história de vida bastante humilde.
Outro exemplo é de uma criança que mesmo tendo um pai violento e pouco presente pode contar para os colegas que sua relação com ele é divertida e amorosa, que fazem muitos passeios prazerosos juntos e são muito amigos.
Esses dois últimos casos podem exemplificar a diferença entre uma adaptação social de mentira como a do telefone e a de um mitômano.
Devemos compreender que dizer a verdade passa a ser um sofrimento para quem tem mitomania, pois o objetivo do mitômano não é mentir para prejudicar o outro, mas para conseguir algo para si mesmo, que geralmente está relacionado à necessidade de suprir aquilo que falta em sua vida, ou seja, ele não mente sobre tudo. Ele mente sobre um ponto específico, de onde vem seu problema, da origem dos seus conflitos.
Mais um exemplo para diferenciarmos o mitômano de uma pessoa que faz para prejudicar o outro, é o de um homem com dificuldade de relacionamentos interpessoais que conta para os amigos e familiares que sempre tem encontros muito prazerosos com as mulheres. Já em outros pontos de sua vida ele não mente, e ser honesto quanto a questões financeiras e de trabalho é muito fácil.
Manter uma mentira é muito difícil e desgastante, em algum momento ela passa a ser descoberta e com isso começam a aparecer os maiores riscos para o mitômano, como o isolamento social e o descrédito diante dos círculos familiar, de trabalho, de amigos e assim por diante. Esse isolamento pode causar depressão, ansiedade e outras patologias que passam a ser perigosas para o mitômano.
O mitômano pode estar sofrendo com as consequências de suas mentiras, mas geralmente não buscará ajuda sozinho, pois mesmo sabendo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro, ele precisa acreditar que seja para manter um equilíbrio interior. Contando histórias ele se sente tranquilizado e com suas carências supridas.
Por outro lado, deixar de mentir também tem uma consequência muito sofrida para ele e é por isso que muitas vezes é a família quem procura ajuda para o mitômano, uma vez que estes já descobriram algumas mentiras.  Além da procura por ajuda, a família ocupa outro papel essencial no tratamento do mitômano, uma vez que este precisa sentir-se acolhido e entendido pelas pessoas que o cerca. A esta cabe ainda à compreensão de que o fato da pessoa estar sendo ajudada e em tratamento, não significa que as mentiras não voltarão a acontecer. Ela poderá se repetir durante e principalmente no início do tratamento, uma vez que a pessoa ainda estará em processo de autoconhecimento.
A cura da mitomania pode ser alcançada com o trabalho psicoterápico, quando o paciente poderá entrar em contato com as questões que lhe causaram a necessidade de mentir e a partir daí construir o fortalecimento da sua estrutura psicológica e a adaptação ao mundo sem a necessidade anteriormente predominante. O trabalho conjunto com a psiquiatria também pode ser necessário, pois como vimos, um dos grandes perigos da mitomania são suas consequências, como a ansiedade excessiva para manter suas mentiras, por exemplo. Assim, o uso de medicamentos pode ser indispensável. 
Outro ponto importante a ser considerado é que o fato da pessoa ser boa em contar mentiras, não significa que se tornará um mitômano, pois se ela tiver uma boa estrutura mental saberá manter-se saudável.

Por mais difícil que seja aceitarmos mentiras de pessoas queridas, é mais importante estendermos as mãos e oferecermos ajuda ao mitômano, do que atiramos pedras.

domingo, 18 de março de 2012

Eu tenho medo. E você?

O medo parece ser um sentimento que nos acompanha durante todo o tempo. Temos medo da solidão, do mar, de altura, de morrer, da multidão, de ser infeliz e de ser feliz, de amar e de ser amado. Enfim, essa lista pode ser tão extensa quanto se queira e, com certeza, você poderá acrescentar mais uma dúzia de medos a ela.

Em sua obra Medo líquido, Zygmunt Bauman diz: “As oportunidades de ter medo estão entre as poucas coisas que não se encontram em falta nessa época, altamente carente em matéria de certeza, segurança e proteção”. O fato é que o medo é essencial a nossa preservação, afinal de contas, como seria não ter medo de altura e nos jogarmos de um precipício sem um paraquedas? O medo real, consciente e “normal” nos mantém vivos.

Já, quando o medo passa a ser irracional, exagerado e geralmente de algo que não nos traz risco de vida, podemos dizer que é um medo patológico. Esse medo pode trazer não só a paralisação física da pessoa diante de uma determinada situação ou objeto, mas até mesmo prejuízos tangíveis para o seu dia a dia. Uma pessoa com medo de avião pode ter a vida profissional prejudicada ao recusar uma boa oportunidade de emprego, uma vez que viajar de avião poderá ser uma rotina.

O medo patológico pode ser classificado como fobia quando este aparece especificamente em algo - como o exemplo do avião ou outros comuns como o de elevador, de altura e de barata. Nesses casos, uma pessoa pode sofrer uma paralisação diante da exposição ao estímulo causador do medo, ter sudorese, taquicardia, tremores, dores de cabeça, sensação de desmaio dentre outros sintomas.

Outra forma de medo patológico é a síndrome do pânico, em que uma pessoa também apresenta os sintomas da fobia, mas geralmente não se sabe o que desencadeia uma crise por não haver um estimulo específico. É comum alguém com síndrome do pânico passar por longas e exaustivas visitas às mais variadas especialidades médicas em busca de uma explicação para suas taquicardias, terríveis dores de cabeça e demais sintomas sem obter sucesso no diagnóstico por não apresentar nenhum problema físico aparente.

Nesses dois casos - a fobia e a síndrome do pânico - o medo pode ser tão grande e preocupante que a pessoa desenvolve uma ansiedade antecipatória quando passa a ter medo de sentir medo e de ter nova crise, prejudicando assim os diversos contextos de sua vida. Por exemplo, evita ir à praia por medo do mar, apesar de adorar a praia, ou evita ir ao trabalho por ter vivenciado uma crise de pânico nesse ambiente. Com isso, a fuga passa a ser uma constante na vida da pessoa com fobia ou síndrome de pânico.

Com a ajuda de um profissional, porém, ela poderá aprender que essa não é a melhor saída para seus medos, mas sim aprender a enfrentá-los. O indivíduo deve conhecer qual é a origem do seu medo patológico porque geralmente transferimos nossas angústias para algo exterior que apenas pode representar o que de fato está no interior deste individuo.

Se o seu medo te impossibilita de realizar seus desejos, procure um profissional da psicologia para que juntos possam desconstruir a situação fóbica ou da síndrome do pânico.

E você tem medo de que?

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ditadura da beleza.

Um dia conversando com um colega de profissão, sobre o comprometimento dos profissionais prestadores de serviços, ele me disse: “é incrível como as pessoas preferem fazer várias cirurgias plásticas a fazer análise”.
Então, fiquei pensando no quanto é difícil, na sociedade moderna, alguém estar fora dos padrões fabricados de beleza, ainda mais com a rapidez em que a cada dia surgem milagrosos cosméticos, técnicas de emagrecimento, aparelhos de ginástica e outras tantas coisas para fazer com que as pessoas se tornem “verdadeiramente” belas. Isso sem falar da tecnologia da informática. Isso mesmo, os famosos photoshops. Ou vocês acham que todas as mulheres “lindas” que vemos em outdoors, revistas de beleza, TV, cinema e aí por diante não tem sequer uma mancha na pele, uma gordurinha na cintura ou uma imperfeiçãozinha qualquer?
Quem não viu a revista NOVA publicar em fevereiro/2010 sua capa com a cantora Claudia Leite sem umbigo e ainda mais recentemente um anuncio da L’Oréal com a atriz Julia Roberts ser proibido no território nacional britânico, devido o excesso de retoques na foto da atriz?
E as mulheres do dia-a-dia? As que acordam cedo para um duro dia de trabalho, seguido pela noite de estudo, casa, marido, filhos para cuidar e ainda precisam ficar “lindas” como as fabricadas pelas novas tecnologias que surgem diariamente. Sim. Diariamente, pois aquele tratamento que você se preparou para iniciar na próxima segunda-feira já está ultrapassado... agora terá que passar a olhar para o mais moderno.
Isso falando de mulheres, para quem a indústria da beleza foca todos os seus esforços para lucrar cada vez mais, mas é claro que os homens também sofrem ao olharem para sua barriguinha de chopp e para a do modelo com barriga de tanquinho no outdoor de propaganda de cuecas.
É tanta informação e novas propostas que, se não tivermos senso crítico, somos levados a querer experimentar tudo ou, pior ainda, sentimos nossa auto-estima despencar, formando um círculo vicioso em busca da felicidade, através da beleza ideal.
O pior é que a saúde, que deveria ser a prioridade de uma alimentação saudável ou a prática regular de atividade física, muitas vezes passa despercebida, pois todos esses esforços são para ficar magra, sarada, e com pele de 20 até os 60 anos.
Então, por que emagrecer? Para me sentir bem ou para atender as exigências da sociedade?
O padrão de beleza imposto pela sociedade causa cada vez mais insatisfação entre as pessoas que se veem distante desse padrão que devasta o inconsciente e o emocional das pessoas. E então essas pessoas começam a sofrem com a baixa auto-estima e a falta de saúde física e emocional.
Anorexia, bulimia, ansiedade, doenças psicossomáticas (como dores de cabeça e musculares, queda de cabelos, gastrite etc.), desvalorização da inteligência como objeto de admiração e até suicídio, são resultados da busca incessante pelos padrões da ditadura da beleza.
Voltando a conversa com meu colega, penso que é mais fácil para as pessoas se dedicarem às exigências da moda e da beleza, colocarem sua saúde e até a vida em risco a se dedicarem ao autoconhecimento, a entenderem que a maior beleza está naquilo que cada um tem de melhor, na beleza natural e não na fabricada e assim ser feliz consigo mesmo, e claro, aproveitar os modernos tratamentos cosméticos a seu favor e não exageradamente, tendo como conseqüência a devastação do seu ser..

domingo, 17 de abril de 2011

Por que não consigo mudar?


Para discorrer sobre esse assunto, que frequentemente aparece no consultório, me apoiei no livro O ciclo da auto-sabotagem de Stanley Rosner e Patrícia Hermes.
Muitas vezes gostaríamos de mudar, criar, aprender, crescer, utilizar o potencial que sentimos existir dentro de nós, para quem sabe podermos responder a uma pergunta, aparentemente, simples: quem sou eu? Mas existem pessoas que além de não conseguir enfrentar esses desafios, acreditam que não seria correto, pois a única maneira correta de ser e agir é seguindo os passos de outra pessoa.
Assim, pessoas crescem acreditando que elogios não são necessários, pois tirar boas notas na escola quando criança não era um mérito, mas apenas uma obrigação, outros acreditam que não podem crescer e serem bons profissionais e se destacarem em sua vida profissional, pessoal, afetiva, pois cresceram ouvindo que não eram tão bons assim. Quem nunca se viu agindo ou pensando de alguma forma idêntica ou parecida com a que viveu na infância?
Se forem questionadas sobre sua forma de agir, certamente essas pessoas responderão que essa é a maneira correta, é familiar e já sabem como fazer, afinal sabemos que a mudança e o desconhecido não são tão fáceis de serem encarados. 
Outro fator importante é que a criança necessita de identificação e exemplos para se desenvolverem. O problema é que alguns pais comunicam ao filho que sua forma de ser e pensar é superior e correta. Porém quando a criança cresce, percebe que outras famílias agem de forma diferente, mas como confrontar pensamentos com pais tão dominadores e controladores?
Diante do desejo de receber o amor dos pais, a criança opta pela identificação absoluta com esses. E em uma eterna busca por esse amor a criança se torna um adulto reprodutor dos pensamentos e ações dos pais. Mesmo que estejam sofrendo, a mudança desse ciclo de repetição é difícil, pois acreditam que a maneira como se comportam é correta e apropriada. Então porque mudar?
Eis, que diante de algum sofrimento causado por um motivo externo como o trabalho ou um relacionamento amoroso, mas nunca pelo motivo que causou essa repetição em sua vida e dificuldade de mudar, a pessoa procura ajuda psicológica, quando então é questionado quanto ao seu passado. Mas por que o passado se o que causa o sofrimento é cotidiano?
Quando enterramos o passado traumático, tendemos a revivê-lo várias vezes, tentando inconscientemente dominar aqueles eventos incontroláveis. Portanto, a finalidade de mexer no passado é a de ajudar a pessoa a se tornar livre, com controle da própria vida. Fazer com que o passado chegue à consciência.
E é durante o processo terapêutico que o paciente começa a entender o real motivo da sua forma de agir, primeiramente com uma compreensão racional, que provavelmente não trará mudanças, mas quando chegar à compreensão emocional de como vivenciou os acontecimentos em sua vida o processo de mudança se iniciará.
Quando o conhecimento chega à consciência é que podemos mudar, mas apenas se for internalizado, sentido e elaborado. A mudança e a consciência estão intrinsecamente ligadas.
Assim, a mudança interna pode começar a ocorrer, com a pessoa perdendo o medo e a insegurança de poder responder a pergunta: quem sou eu?, sem ter que se identificar e reproduzir modelos interiorizados como única verdade.