sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Você tem uma Bridget Jones dentro de você?


“Em momentos como esse, continuar a viver parece impossível e comer tudo o que há na geladeira parece inevitável.
Tenho duas opções: Desistir e aceitar o estado permanente de solteira e eventualmente ser comida por cães, ou não.
E dessa vez escolhi o não. Não serei derrotada por um homem mau e uma americana varapau.
Em vez disso escolho a vodca. E Chaka Khan.”

Essa é uma das falas de Bridget Jones (Renée Zellweger) no filme O diário de Bridget Jones.

A personagem principal do filme que leva seu nome é uma mulher de 32 anos que, em pleno Ano Novo, decide que já está mais do que na hora do que tomar o controle de sua própria vida e também começar a escrever um diário. Com isso, Bridget começa a escrever suas qualidades e defeitos, além das situações do dia-a-dia das mulheres nessa faixa etária.

Problemas com o trabalho, a busca pelo homem ideal, a luta contra o peso e as calorias, cigarros e o álcool, são relatados com muito humor a cada dia.

Bridget Jones é um grande exemplo da dificuldade que as pessoas encontram para lidar com as emoções e sentimentos e a consequente compensação com comida e, no seu caso também com o álcool.

Acima do peso ela vive entre a torturante vontade de perder peso e as compulsões alimentares. E duas situações podem ser facilmente identificadas em Bridget para a manutenção desse comportamento: os conflitos quanto sua realização profissional e a busca pelo homem da sua vida. Sem saber como lidar com esses problemas, sempre que se depara com as frustrações de não alcançar seus objetivos ela percebe que: “continuar a viver parece impossível e comer tudo o que há na geladeira parece inevitável”.

No Ano Novo quando Bridget diz que está mais do que na hora de tomar o controle de sua própria vida, ela deveria estar se referindo ao fato do autoconhecimento para entender porque é tão difícil conviver com suas frustrações e então é preciso se esconder e autodepreciar comendo tudo o que tem na geladeira ou tomando uma garrafa de vodca com certa frequência.

Não quero dizer que ninguém mereça uma vez ou outra comer além da conta ou abusar daquele sorvete maravilhoso em uma tarde ensolarada e quente de verão, ou até mesmo tomar um pilequesinho com os amigos ou com a família para comemorar algo. O que temos que prestar atenção é quando esses comportamentos se repetem com frequência, totalmente sem controle e principalmente como fuga dos sentimentos indesejáveis.

A obrigação e a dificuldade de perdoar.


Aprendemos muito cedo em nossas vidas que devemos ser pessoas boas, amar, respeitar, dividir e principalmente perdoar.
Raiva, ódio e rancor não são sentimentos aceitáveis. Para a religião é pecado e para a sociedade é falta de controle e amor no coração.
Mas se são sentimentos como não sentir? Impossível.
Quando um colega de trabalho te prejudica evitando que seu projeto seja bem visto e aceito você sente amor ou raiva por ele? Provavelmente raiva. Mas quando chegar em casa e compartilhar sua indignação com alguém da família, ouvirá: Deixa pra lá, não é bom sentir raiva, não faz bem. Você tem que perdoar. Logo você diz que perdoa, mas na verdade continua com o sentimento de injustiça e raiva e agora também com o de culpa. Afinal, como você pode ter sentimentos tão criticados e inaceitáveis?
É comum ouvirmos casos de pessoas que desenvolvem doenças e dores sem causas físicas, ou seja, as doenças psicossomáticas que tem origem emocional. Por exemplo, uma dor muito forte no estômago, mas sem nenhuma lesão física para explicar a dor.
Geralmente nesses casos os médicos instruem o paciente a procurar um psicólogo, quando se descobre que a pessoa desenvolveu uma doença psicossomática devido a alguma questão emocional com a qual não soube lidar. Entre os vários motivos para o desenvolvimento dessa doença um deles pode ser alguma situação que envolva a raiva, ódio, culpa e/ou perdão.
Isso significa que esses sentimentos realmente não fazem bem e não devem ser sentidos, certo? Errado.
Isso significa que esses sentimentos não devem ser cultivados. As pessoas devem se permitir sentir o que é tão condenado por todos, mas sabendo discriminar o que odeio e o que aceito. Por exemplo, gosto muito daquele colega de trabalho que é companheiro e colabora para termos um bom ambiente de trabalho, mas tenho raiva por ele ter me prejudicado em meu desenvolvimento profissional. Vivenciando a raiva e o ódio é que se pode perceber que não é preciso carregar isso para o resto da vida nem acreditar que não se dará bem em nenhum trabalho, afinal sempre terá alguém para prejudicá-lo. A culpa não precisará existir, pois esses sentimentos não são crimes, são apenas uma defesa e sinal de uma boa autoestima.
Mas ao contrário do que muitos pensam, saber lidar com a situação ocorrida e distinguir o que gosto e o que não gosto em determinada pessoa, o que aceito, respeito e o que não me faz bem não significa que houve o perdão.
Perdoar é fazer com que o ato cometido contra você não lhe faça mais nenhum mal. Que sua vida não seja vivida em função de uma certeza de que isso sempre voltará a acontecer ou eternamente em busca de justiça. No perdão não cabe culpa por sentir raiva.
Assim, perdoar não é um ato fácil e muitas vezes o que fazemos é aprender a lidar com a situação vivenciada, aceitar todos os sentimentos dessa experiência, entender que viveremos com ela para sempre, mas sem o foco no que nos machucou e que nem sempre o perdão acontecerá.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Como faço para emagrecer?


Quem nunca viu aquela clássica cena de filme com a mocinha que, depois de levar um fora do homem amado passa dois dias na frente da televisão, chorando enquanto assiste filmes românticos, comendo sorvete e todas as delícias engordativas que se possa imaginar?

Pois é, quem nunca comeu como resposta a algum sentimento? Tristeza, raiva, preocupação, alegria, felicidade, entusiasmo, angustia, medo, ansiedade, euforia... meu Deus por que tantos sentimentos?

Agora imagine uma pessoa comer após todos os sentimentos do dia-a-dia. De manhã depois de levantar da cama, ainda cansada, para mais um dia de trabalho percebe que está atrasada, sai correndo e depois de muito trânsito chega ao trabalho, descabelada, esbaforida e irritada, afinal o dia não poderia começar pior. A birra do filho, a felicidade da promoção, a pressão de ter que prover a família, o questionamento de ser boa mãe, filha, esposa, profissional e amiga.

É muito comum quando não sabemos como lidar com essa tonelada de sentimentos, comermos para compensar tanta pressão. O problema é que não percebemos, ou pelo menos não damos a devida importância para esse ato compensatório, que só nos chama a atenção quando algo não está muito bem e percebemos os muitos quilos acumulados ao longo de todo esse tempo de compulsão alimentar e nesse momento saímos correndo atrás de algo que nos emagreça.

Algo que nos emagreça? Isso mesmo, pois se não percebi minha compensação através da compulsão alimentar ao longo do tempo, não tenho como me responsabilizar pelos quilos que insistem em habitar esse corpo que deseja ser magro.

A ajuda médica pode ser muito importante para o emagrecimento, mas o autoconhecimento também pode ser imprescindível. É importante se conhecer e saber que a comida tem para a maioria das pessoas uma função diferente da de nutrir um organismo. Ela pode ter a função de aproximar as pessoas, de esquecer um sofrimento, de se autopunir com um corpo pesado e doente pelas comorbidades da obesidade e por vários outros motivos que cada pessoa carrega consigo.

A medicação pode ajudar a conquistar um corpo magro, mas a manutenção não é possível uma vez que essa não acaba com os sentimentos causadores do comer em excesso.

Como faço para emagrecer? é uma pergunta cada vez mais frequente em uma sociedade que cultua o corpo belo e magro e a resposta pode estar dentro de você.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Psicossomática


Tem sido cada vez mais frequente no consultório, a queixa de pessoas com dores físicas, mas sem uma causa física, ou seja, uma doença psicossomática.

Explicarei melhor.

Geralmente as pessoas chegam no consultório relatando uma longa trajetória percorrida em médicos e  mais uma diversidade de exames realizados, mas sem descobrir uma causa física para a dor que está sentindo. E então o diagnóstico do médico é de que o paciente tem um problema emocional.

Além da dificuldade de diagnóstico enfrentada nesses casos, também é comum o insucesso no tratamento da doença, afinal por ter origem emocional a cura não poderá acontecer apenas com o uso da medicação.

O fato da causa da doença e da dor serem emocionais, não significa que elas não existam. Pelo contrário o corpo está sofrendo com fadiga, falta de concentração e memória, dores no peito, enxaqueca, úlcera, gastrite, urticária, dermatite, hipertensão, taquicardia, falta de ar, sensação de sufocamento, dor de garganta, tendinite e muitas outras doenças.

A doença psicossomática pode se manifestar apenas com sintomas, sem uma lesão física. Por exemplo, sintomas de enfarto com dores no peito e no braço, mas sem nenhum problema cardíaco, ou ainda, com uma lesão real como a tendinite.

Isso acontece porque corpo e mente são partes integradas do ser humano.  Assim, os sentimentos e as emoções vivenciados pela pessoa e com os quais não soube lidar, poderão se manifestar através do corpo. Se a pessoa é muito retraída e não consegue falar o que sente e precisa, poderá desenvolver uma dor de garganta crônica ou uma forte dor nas costas por carregar um peso que não consegue se livrar.

Para que o tratamento da doença psicossomática seja eficaz é necessário um acompanhamento psicoterápico, para que a pessoa busque o autoconhecimento, se desenvolva aprendendo sobre si mesmo e através de seus sintomas e conseguindo entender o significado das experiências e comportamentos vivenciados. Assim, poderá realizar mudanças pessoais, diminuir suas angústias, sofrimentos psíquicos e reestabecer a qualidade de vida.

Paralelamente, a pessoa deve continuar o tratamento medicamentoso para controlar os sintomas e evitar seu agravamento.

Então, se você tem apresentado sintomas físicos, mas não tem encontrado respostas para sua origem, converse com seu médico sobre a possibilidade de ser uma doença psicossomática e procure ajuda psicoterápica.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Perdão

Uma bela série sobre o tema Perdão, produzida pela EPTV Campinas e com uma pequena contribuição minha.

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/jornal-da-eptv-faz-serie-de-reportagens-como-o-tema-perdao/2310335/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/confira-a-segunda-reportagem-especial-sobre-perdao/2311747/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/violencia-sexual-e-morte-sao-temas-da-segunda-reportagem-sobre-perdao-da-eptv/2313271/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/confira-a-quarta-reportagem-especial-sobre-perdao/2315130/

http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/jornal-da-eptv/videos/t/edicoes/v/sequestro-e-tema-da-quinta-reportagem-de-serie-especial-da-eptv-sobre-perdao/2317039/


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Confraternizações. Felicidade ou tristeza?


Natal e Ano Novo. Tempo de alegria, felicidade, amor, esperança, recomeço, renovação, união e mais uma extensa lista de sentimentos e pensamentos positivos.

Mas por que será que muitas pessoas se sentem na contra mão de todo esse espírito de união?
Muitas são as queixas de pessoas que se sentem inadequadas por demonstrarem sentimentos negativos nessa época do ano. Tristeza, angústia, decepção, solidão e culpa, são alguns dos sentimentos experimentados por muitos na época que deveria ser só de felicidade.

A tristeza e a solidão geralmente estão relacionadas ao sentimento de não ter pessoas com quem possa compartilhar os momentos agradáveis. A pessoa pode sentir que não é importante para ninguém, pois não foi chamado para nenhuma confraternização, nem recebeu presentes, mas também não sente vontade de comemorar com familiares, pois estão distantes durante todo o restante do ano.

O balanço do ano que está chegando ao final também pode gerar sentimentos negativos se não o analisarmos de maneira clara e honesta.  Quando esse balanço indica que o planejado não foi alcançado, é frequente que ocorra uma autocobrança muito grande, gerando frustração, angústia e sentimento de incapacidade.

Digo que o balanço deve ser analisado de maneira clara e honesta para que você não seja injusto com suas conquistas, vitórias e derrotas. A tendência é a de se frustrar com 1 item que não foi realizado e esquecer que os demais objetivos foram alcançados.

Isso sem contar o que não foi relacionado na lista inicial, mas que surgiu durante o ano e também não foi realizado, mas que agora o tempo está esgotando e precisa ser recuperado. A pessoa a ser perdoada, a palavra a ser dita, a adaptação ao novo trabalho, o conflito a ser solucionado, os novos desejos que surgiram no decorrer do ano... mais e mais cobranças e a autocobrança.

Ao mesmo tempo o não planejamento pode causar a sensação de não caminhar, estar parado no tempo, não pensar no futuro. Planejar e viver ciclos é intrínseco ao ser humano. A cada projeto finalizado, outro será iniciado. Depois do namoro, planeja-se o noivado, o casamento e depois os filhos. No final das férias já começamos a planejar a viagem para o próximo ano.

Parece, então, inevitável não se angustiar diante do balanço anual, mas o importante é aproveitar esses momentos de autoquestionamento e de crise para pensar o porquê de não ter realizado os projetos e promessas do início do ano. Questionar-se sobre o real motivo de se sentir sozinho. Pode ser que não sejam as pessoas que não querem sua companhia, mas sim você que está com dificuldade de relacionamento. Seus projetos para ao ano foram irreais e difíceis de serem realizados, você não se esforçou para concretizá-los ou aconteceram contratempos que fizeram com que seus planos fossem adiados?

Seja justo com você. Tenha objetivos e se planeje, mas faça de maneira real e que possam ser alcançados, evitando a autocobrança por não ter conquistado algo impossível diante de suas condições atuais.

Olhar-se internamente pode ser difícil e doloroso, mas poderá te ajudar a identificar e saber lidar com os próprios sentimentos, conhecer o que realmente é importante para você e consequentemente contribuir para um bom planejamento dos objetivos a serem alcançados.

É importante lembrar-se de que se não conseguir traçar suas metas no final ou início do ano, não se preocupe. O término de um ano é um fechamento de ciclo, mas você pode traçar seus objetivos em qualquer momento do ano e com o prazo que for necessário. Feche seu próprio ciclo.

E se estiver difícil fazer esse exercício sozinho, procure um profissional capacitado para te ajudar a resolver seus conflitos e bons planejamentos!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Perdas e luto.

Quando ouvimos a palavra luto, logo vem em nossas cabeças o momento e os sentimentos expressos por uma pessoa que vivenciou a morte de uma pessoa muito querida e amada.

É normal que a pessoa enlutada vivencie sentimentos de dor, tristeza, choro, raiva, negação, solidão, desamparo, desinteresse pelo mundo exterior e nostalgia, sempre relembrando momentos agradáveis ao lado da pessoa falecida. As sensações físicas como vazio, aperto no peito e cansaço também são relatadas pelas pessoas nesse processo.

Apesar de todo o sofrimento diante da perda é esperado que a pessoa vá reorganizando sua vida e ressignificando o sentimento de perda com o passar do tempo, mas acontece que muitas pessoas não conseguem fazer essa reorganização emocional e pessoal, nem tão pouco levar sua vida a diante, ficando fixadas na perda sofrida. Diferentes motivos podem ser responsáveis por isso, por exemplo, o pensamento de não merecer uma pessoa boa ao seu lado ou a revolta por ser tão injustiçado por lhe ser tido tirada a pessoa querida.

O que muitas vezes não imaginamos é que a dor da perda de objetos, estatus social, emprego e a separação no namoro ou casamento, pode ser tão forte quanto a morte fisica da pessoa querida. Assim, o luto também deve ser vivenciado na ocasião dessas perdas, mas muitas vezes não é isso que ocorre.
Para descrever as fases de elaboração do luto, usarei os estudos de Elizabeth Kubler-Ross, psiquiatra suíça, que descreveu as 5 fases em seu livro Sobre a morte e o morrer (1969).

É importante lembrar que essas fases não precisam seguir uma sequência ou que tenham que ser vivenciadas da mesma forma por todas as pessoas.  

  1. Negação e Isolamento: Impacto inicial da notícia onde pode ocorrer uma paralisação na pessoa e ela não conseguir dar seguimento a pensamentos. Também é comum nessa fase que se tente negar o ocorrido, não acreditando na informação que se está recebendo. A negação é uma defesa temporária, sendo logo substituída por uma aceitação parcial. Também é comum uma transição em falar sobre a realidade do assunto em um momento e de repente negá-la completamente.
  2. Raiva: Surgem sentimentos intensos como: raiva, revolta, inveja e ressentimento, além da clássica pergunta: “porquê eu?”. Esta raiva, geralmente é projetada no ambiente externo, no sentido de inconformismo. Neste momento os familiares podem sentir pesar, culpa ou humilhação.
  3. Barganha: Após ter se revoltado, e nada adiantado, passa-se a utilizar inconscientemente outro recurso, tentando fazer algum tipo de acordo que faça com que as coisas se restabeleçam. Geralmente este movimento volta-se para à religiosidade. Ex.: promessas, acordos, pactos, geralmente em segredo.
  4. Depressão: Ocorre um sofrimento profundo, onde já não se pode mais negar os acontecimentos e nem se revoltar contra eles. É a fase de introspecção profunda e necessidade de isolamento.
  5. Aceitação: Tendo superado as fases anteriores, percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. Os sentimentos não estão mais tão a flor da pele, como se a dor tivesse esvanecido, a luta tivesse cessado e as coisas passam então a ser enfrentadas com consciência das possibilidades e das limitações.
Quando o processo de elaboração do luto não é realizado e a perda não é aceita de maneira natural, é preciso que a pessoa procure ajuda psicoteraupêutica afim de entender qual o papel que a pessoa ou objeto perdido ocupava em sua vida, para  enfrentar a avalanche de emoções que vivenciará e então se reorganizar e dar novo sentido em sua vida.